Operação revela bastidores da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos | VII Prêmio República

Operação revela bastidores da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos


Vencedor da categoria Criminal, o trabalho dos procuradores comprovou grande esquema de corrupção entre políticos e autoridades do esporte

O subprocurador-geral da República e coordenador da 4ªCCR Nívio de Freitas recebeu o prêmio

Equipe da Operação Unfair Play recebe o Prêmio República na categoria Criminal

Resultado do trabalho conjunto de cooperação internacional entre os órgãos de persecução do Brasil, da França, da Antígua e Barbuda, dos Estados Unidos e do Reino Unido, a Operação Unfair Play permitiu que viesse a público os bastidores da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A iniciativa foi a vencedora na categoria Criminal do VI Prêmio República de Valorização do Ministério Público Federal.

De acordo com a procuradora da República Fabiana Schneider, a iniciativa revelou um grande esquema de corrupção na área esportiva e uma íntima ligação com a política. “Foi uma das cooperações internacionais da Lava Jato do Rio de Janeiro mais bem-sucedidas, rendendo frutos no estreitamento das relações com o Ministério Público Francês, que participou da deflagração da operação no Brasil”, explica.

Vasta documentação e provas robustas revelaram que a organização criminosa, chefiada pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, comprou o voto do então presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, por US$ 2 milhões. Além disso, levou à prisão Carlos Arthur Nuzman, um dos dirigentes esportivos que ficou à frente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por mais tempo. O ineditismo da prisão de um importante dirigente do COB rendeu notoriedade internacional ao caso.

Sérgio Cabral, Carlos Nuzman e outros foram denunciados pela prática de corrupção passiva e organização criminosa. Nuzman também foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. “Os jogos serviram como verdadeiro trampolim para que a organização criminosa se capitalizasse política e financeiramente, potencializando o cometimento de crimes de corrupção com a realização de dezenas de obras para o evento olímpico”, conta Fabiana.

A iniciativa foi inscrita no Prêmio pela procuradora da República Fabiana Schneider. A operação foi coordenada pelo procurador Eduardo Gomes El Hage e contou com a participação de Rodrigo Timóteo, Leonardo Freitas, José Augusto Vagos, Rafael dos Santos, Sérgio Pinel, Marisa Ferrari, Felipe Leite e Stanley da Silva.